quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A permanência da Fé

“Essa crença, que consiste em crer que o homem desceu de um estado de glória e de comunicação com Deus a um estado de tristeza, de penitência e de afastamento de Deus, mas que, depois desta vida, seremos restabelecidos por um Messias que deve vir, sempre existiu sobre a terra. Todas as coisas passaram, subsistindo aquela para a qual todas as coisas existem.

Os homens, na primeira idade do mundo, foram arrastados a toda sorte de desordens, embora houvesse santos como Enoc, Lamec, e outros, que esperavam pacientemente o Cristo prometido desde o começo do mundo. Noé viu a malícia dos homens no mais alto grau e mereceu salvar o mundo em sua pessoa pela esperança do Messias, do qual foi ele a figura. Abraão estava cercado de idólatras, quando Deus fez com que ele conhecesse o mistério do Messias, que ele saudou de longe. No tempo de Isacc e de Jacó, a abominação estava espalhada sobre toda a terra: mas, esses santos viviam na fé; e Jacó, morrendo e abençoando seus, filhos, exclama, num transporte que o obrigou a interromper seu discurso: Eu espero, meu Deus, o Salvador que prometeste: Salutare tum expectabo, Domine.

Os egípcios estavam infectados de idolatria e de magia; o próprio povo de Deus era influenciado por seus exemplos. No entanto, Moisés e outros acreditavam naquele que não viam e o adoravam olhando para os dons naturais que ele lhes preparava.

Os gregos e os latinos, em seguida, fizeram reinar as falsas divindades; os poetas fizeram cem diversas teologias: os filósofos se separaram em mil seitas diferentes: no entanto, havia sempre, no coração da Judeia, homens escolhidos que presidiam à vinda de um Messias que só por eles era conhecido.

Ele veio, enfim, na consumação dos tempos: e, desde então, viram-se nascer tantos cismas e heresias, tantos desmoronamentos de Estados, tantas mudanças em todas as coisas; e essa Igreja a que adora aquele que sempre foi adorado subsistiu sem interrupção. E o que é admirável, incomparável e inteiramente divino, é que essa fé que sempre durou foi sempre combatida. Mil vezes esteve na iminência de uma destruição universal; e, todas as vezes que se achou nesse estado, Deus tornou a levantá-la com golpes extraordinários de potência. É assombroso que assim seja e que ela se mantenha sem dobrar-se e curvar-se sob a vontade dos tiranos.

Os Estados pereceriam se não se fizesse com que as leis se submetessem frequentemente à
necessidade. A fé, porém, nunca sofreu isso, nunca usou disso. São necessários ou esses
acomodamentos ou milagres. Não é de estranhar que nos conservemos submissos, e isso não é propriamente manter-se; e ainda pereçam eles, enfim, inteiramente; não há o que tenha durado mil e quinhentos anos. Mas, que essa fé se mantenha sempre inflexível, isso é divino.

(Haveria obscuridade demais se a verdade não tivesse marcas visíveis. É admirável a de se
ter conservado sempre numa Igreja a e numa assembleia visível. Haveria claridade demais se só houvesse um sentimento nessa Igreja; mas, para reconhecer o que é verdadeiro, basta ver o que sempre existiu: com efeito, é certo que o verdadeiro sempre existiu e que nenhuma falsidade existiu sempre. Assim), o Messias foi sempre acreditado.

Os profetas o predisseram depois, predizendo sempre outras coisas cuja realização, verificando-se periodicamente entre os homens, assinalava a verdade de sua missão e, por conseguinte, a de suas promessas em relação ao Messias (Todos eles disseram que a lei que possuíam só gorava enquanto esperavam a do Messias e que, então, ela seria perpétua, mas que a outra dura eternamente; que, por isso, a sua lei e a do Messias da qual era ela a promessa, existiram sempre sol a terra. Com efeito, ela durou sempre, e Jesus Cristo veio em todas as circunstâncias preditas). Jesus Cristo fez milagres, assim como os apóstolos que converteram os pagãos; e, assim, realizando-se todas as profecias, o Messias está provado para sempre.”

Blaise Pascal in “Pensamentos”

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Somos felizes?...

“A felicidade é um estado permanente que não parece ter sido feito, aqui na terra, para o homem.”

Jean Jacques Rousseau

Não posso deixar de discordar com este pensamento.

Para mim, felicidade é o caminho que percorremos quando sabemos qual o nosso fim.

Podemos cantar no meio de açoites, escuridão e terror, porque vemos mais além.

Lutamos sem armas, com instrumentos musicais, porque seguimos firmemente O nosso maestro.

Não tememos quando confrontados com gigantes, porque maior é Aquele em quem confiamos.

Não cedemos à pressão de um mundo inteiro, mesmo que achem que endoidecemos por construir uma arca, num planeta, em que não chove.

Saímos da nossa terra, sem saber para onde vamos, porque ouvimos a Sua voz.

Somos loucos aos olhos dos demais, porque não sermos a regra…

Estamos felizes, quando deveríamos estar tristes…

Este é o meu povo!

Este é o meu caminho!

Não estou feliz, sou feliz pois o meu coração vê…

"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem."